O hidrogênio verde deixou de ser promessa de papel no Brasil. O levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) contabiliza mais de R$ 115 bilhões em projetos até 2030, distribuídos em 13 empreendimentos, a maior parte deles no Nordeste. O motor do avanço é a segurança jurídica: com o marco legal em vigor, o setor ganhou as regras que faltavam para transformar carteira de projetos em investimento, como noticiou o Valor nesta quarta (30/09).
No Ceará, a dimensão é de outro tamanho: R$ 74 bilhões e 27 mil empregos projetados no estado, conforme levantamento do Diário do Nordeste sobre os dados do setor. A retórica da campanha, porém, segue em tom menor. No debate de terça ao governo do estado, Ciro Gomes tratou o tema com desdém: “é a farsa do hidrogênio verde que sumiu do mapa” [78:24], enfileirando o setor ao lado do data center entre o que chamou de “duas grandes enganações” [85:25].
O que já está de pé no Ceará
O coração da conta cearense é o Complexo do Pecém, que reúne R$ 56 bilhões em investimentos previstos em energia limpa, segundo a própria ABIHV. O hub de hidrogênio do Ceará completa cinco anos em 2026 e já deixou a fase de slides: a cadeia emitiu neste ano a primeira nota fiscal do setor no país.
Segurança jurídica, porto estruturado, energia renovável e janela global de descarbonização: é essa combinação que explica por que a maior fatia dos R$ 115 bilhões mapeados no país olha para o litoral nordestino. O investidor que assina carteira de projetos dessa escala não o faz por patriotismo; o faz por viabilidade.

