Representantes de municípios e províncias de mais de 30 países latino-americanos e caribenhos participaram nesta sexta (23) do IV Fórum de Cooperação entre Governos Locais China-América Latina e Caribe em Yulin, cidade no noroeste da China, na província de Shaanxi. O encontro, incluído no Plano de Ação Conjunto China-Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) 2025-2027, abordou três eixos: transição energética e articulação industrial, agricultura com características locais e segurança alimentar, e preservação do patrimônio cultural integrado ao turismo.
O mecanismo
O fórum é um dos instrumentos do sistema de diplomacia povo a povo que a China tem construído com a região latino-americana e caribenha desde 2016. A Associação do Povo Chinês para a Amizade com o Exterior (APCA), criada em 1954, é encarregada da organização do evento, que é um mecanismo institucional dentro do Fórum China-Celac voltado especificamente para os níveis subnacional: prefeituras, governadores e legisladores locais, não ministros ou chefes de Estado.
O programa de cidades-irmãs na China fica dentro desse mecanismo. Até 22 de outubro, quando encerrou a Conferência Internacional de Cidades-Irmãs da China de 2026 em Xi’an, a China tinha 3.196 pares de cidades-irmãs com 153 países nos cinco continentes, segundo a agência Xinhua.
Desde o início do governo de Xi Jinping, o número de pares aumentou mais de 50%, com expansão de 80% entre países participantes da Iniciativa Cinturão e Rota. “Quanto mais estreita a cooperação local, mais sólida será a base para uma cooperação mutuamente benéfica entre os dois países”, disse Yang Wanming, presidente da APCA, na conferência de Xi’an.
O embaixador uruguaio na China, Aníbal Cabral, que acompanhou a delegação do país, disse ao Brasil de Fato que espaços como este cumprem a função de aprendizagem mútua entre regiões distantes: “há muitas coisas nas quais deveríamos aprender mais: a questão do planejamento que a China faz e a previsibilidade sobre como as coisas vão estar daqui a cinco, dez, quinze anos; podemos associar isso aos planos quinquenais, mas vai além”.
O prefeito de Russas, município do interior do Ceará, Sávio Gurgel Nogueira, participou do fórum como um dos representantes brasileiros na sessão de transição energética. Lá, a empresa estatal chinesa CGN opera um projeto de geração solar no município. “Nós temos potencial para isso e precisamos sair mais, conhecer outras culturas e explorar o que está acontecendo no mundo”, disse Gurgel sobre a importância de encontros como o de Yulin. O prefeito chegou à China em busca de uma cidade-irmã que possa ampliar parcerias com o gigante asiático. Russas também faz parte da cooperação China-Brasil de pequenas máquinas agrícolas para a agricultura familiar. Em janeiro de 2025, a área produtiva agroecológica Ana Primavesi, no Assentamento Bernardo Marin II, recebeu dois tratores e quatro motocultivadores.
“O fórum fortalece e enriquece muito as políticas públicas, tanto dos governantes e dos prefeitos quanto de empresários que não têm o conhecimento das culturas e produções de cada país ou cidade”, disse Gurgel. “Há muito a explorar. Ainda não soubemos aproveitar tudo o que podemos realizar em nível dos governos municipais”, afirmou Cabral.



